Com potencial para envolver parlamentares e três governadores, a CPI do Cachoeira chega a quase um mês de existência com a marca de comissão mais lenta dos últimos 20 anos entre as destinadas a investigar corrupção. A Folha analisou outras dez grandes comissões de inquérito criadas desde a CPI do Collor (1992).
Nunca antes, em seus primeiros 15 dias de trabalho (descontados fins de semana, feriados e recessos), uma comissão ouviu tão poucos envolvidos e demorou tanto para tomar seu primeiro depoimento público.
Na última semana, a CPI foi alvo de acordo entre governo e oposição para limitar o alcance das investigações. A primeira tomada de depoimento público, do empresário Carlinhos Cachoeira, está marcada para terça-feira.
A previsão inicial era de que fosse na semana passada, mas seus advogados conseguiram no Supremo suspender a sessão alegando não terem tido acesso ao processo. Mesmo que o depoimento tivesse ocorrido, o cenário da CPI em relação a comissões anteriores não mudaria.
Ainda que sejam contabilizados os depoimentos secretos dos delegados responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo, a produtividade da comissão é muito menor. Em média, no mesmo período, as outras CPIs tinham realizado oito depoimentos.
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Filha de guerrilheiros quer resgatar memória dos pais
Ñasaindy Barrett de Araújo, 44, sabe bem a diferença entre memória e lembrança. “Lembranças são as imagens do que vivi. Memória é o que aprendo do passado.” Sem lembranças de seus próprios pais, ela espera que a Comissão da Verdade a ajude a reconstruir ao menos a memória de quem eles foram.
Os pais de Ñasaindy (o nome quer dizer ‘Claridade do Luar’, em guarani), militantes de esquerda, apaixonaram-se em Cuba, então a meca da revolução mundial, e ela nasceu.
A menina era um bebê de poucos meses quando o pai e logo depois a mãe voltaram ao Brasil para fazer a revolução. E deixaram-na na ilha. O pai, José Maria Ferreira de Araújo, era um jovem que havia participado do levante dos marinheiros e fuzileiros navais, em 1964, ainda antes do golpe militar. Expulso da Marinha, Araújo viajou a Cuba para aprender técnicas de guerrilha.
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Petistas e tucanos já preparam discursos
para o horário na TV em São Paulo
Ao inédito choque de trens do metrô sobreveio, imediatamente, uma trombada entre PT e PSDB que vai desembarcar no horário eleitoral na campanha paulistana. Os tucanos acusam os petistas de “comemorar” o acidente que deixou 49 feridos na semana passada.
Isso porque as imagens de pessoas sendo socorridas em macas e ambulâncias reforçou o discurso que o candidato do PT, Fernando Haddad, vinha martelando, de “apagão” no transporte de São Paulo.
Os partidários de Lula e Dilma Rousseff respondem que não se trata de celebrar, mas sim de constatar a ineficiência do modelo tucano de gestão nos transportes. Para tentar comprovar a tese, os petistas pretendem levar números negativos no setor que não pouparão nem a gestão de Mario Covas, que morreu em 2000, em seu segundo mandato no governo.
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OAB leva morte de JK para Comissão da Verdade
A recém-instalada Comissão da Verdade vai ter de se debruçar sobre diversos casos ainda nebulosos, mas deverá analisar também um processo há muito considerado encerrado. A seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) quer uma nova investigação sobre a morte de Juscelino Kubitschek e, para isso, enviará nos próximos dias à comissão os documentos do caso.
JK morreu aos 73 anos, em agosto de 1976. Segundo a versão oficial, ele foi vítima de um acidente na Via Dutra, em Resende (RJ), depois de o motorista Geraldo Ribeiro perder o controle do Opala no qual transportava o ex-presidente e bater em um caminhão na pista contrária. Na ocasião, a culpa caiu sobre Josias Nunes de Oliveira, motorista de um ônibus da Viação Cometa que teria feito Geraldo perder o controle do carro. Geraldo foi absolvido em dois julgamentos e, para familiares e amigos, o mistério permanece.
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Supremo ‘fura’ prazos para votar mensalão
Mantido nas prateleiras e gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF) há quase sete anos, o processo do mensalão “furou” todos os prazos estimados pelos ministros da Corte e, agora, produzirá um efeito que muitos queriam evitar: a combinação de seu julgamento com eleição.
A agenda do julgamento depende do ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo. Somente quando ele terminar o voto, a ação estará pronta para ser julgada. O ministro começou nessa semana a escrever seu voto com a ajuda de dez assessores. Concluirá o trabalho em meados de junho, como adiantou o Estado, o que permitirá o julgamento em agosto, às vésperas do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV – no dia 21 de agosto.
Reservadamente, ministros fizeram cronogramas próprios para saber quando e por quanto tempo o processo seria julgado. Em todos os cálculos, as chances de julgamento no primeiro semestre se esgotou. Pelos cálculos do relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, haveria tempo suficiente para concluí-lo no primeiro semestre se Lewandowski liberasse seu voto até a semana passada, o que não ocorreu.